Tudo que eu queria era escrever bonito
Na poesia e nos traços, que já nascem como que nascem comidos por traças
Em um papel amarelado, presente do tempo que o ourifica
Sem o brilho do ouro de tolo
E nem o branco alvo que reflete a luz na folha
E é assim que a grafia carcomida e a folha bronzeada
Me lembram os dias de sol que nunca me banhei
Os sonhos devorados pelo esquecimento e vomitados pela realidade
Que na terra já esperam os germes famintos
A eles e a mim, não sei porque mas sinto
Não há outro destino para mim: a mim mesmo não minto.
E se entre os impulsos primeiros e os fins últimos
Existe um nó inextrincável que só as parcas findam
Me afoguem espiritos! pois alma penada a muito me sinto.
Se meu coração pesar mais que a pena no tribunal de Osiris
E me depenarem os cães do inferno fatiando-me sem cozir
Não tenham pena de mim: enterrem meu coração na beira do rio Aqueronte,
E bebam de sua água, para felizes me deixarem,
Esquecerem o espaço vaziu que um dia eu ocupei.
11/07/14
Memórias de um Tijolo no Muro
domingo, 20 de julho de 2014
quarta-feira, 21 de maio de 2014
Lirísmo Onírico - 21 de Maio de 2014
Como o vulto de um fantasma noturno que se vê de canto de olho, como a penumbra da lua, o fundo obscuro de um lago cristalino; assim é minha memória frágil e fugaz desse sonho. "Mate o dragão, mate o dragão!". Matei-o. Nisso se resume o enredo. Mais turva que minha memória era o pano de fundo do sonho, talvez o agente da quase-amnésia: me sentia como um hobbit perdido nas veias subterrâneas de uma montanha. Sequer me lembro do dragão. Envolto naquela escuridão, suas escamas reluziam. Só sei que tinha de matá-lo, e a golpes de espadas, e assim fiz. O véu negro do esquecimento é dono de muitos segredos, e embora o fio de minha espada não o tenha violado, sinto que o dragonicídio tenha liberado algo - não sei bem o que.. talvez um próximo degrau, na escadaria para o paraíso.
quarta-feira, 1 de maio de 2013
William Blake - As canções da inocência
A IMAGEM DIVINA
Por Clemência, Piedade, Paz e Amor
Todos rezamos na aflição;
E para tais virtudes deliciosas
Se volta a nossa gratidão.
Pois Clemência, Piedade, Paz e Amor
É Deus, nosso pai adorado;
E Clemência, Piedade, Paz e Amor
O Homem, Seu filho e Seu cuidado.
Pois a Clemência tem um peito humano,
E o Amor forma humana celeste,
E um rosto humano tem a Piedade,
E a Paz exibe humana veste.
Assim todo homem, pelo mundo afora,
Que reza em sua humana dor,
Pede só à divina forma humana
Clemência, Paz, Piedade, Amor.
E amar a forma humana devem todos,
Sejam pagãos, turcos, judeus;
Onde habitam Clemência, Amor, Piedade,
Ali também habita Deus.
Por Clemência, Piedade, Paz e Amor
Todos rezamos na aflição;
E para tais virtudes deliciosas
Se volta a nossa gratidão.
Pois Clemência, Piedade, Paz e Amor
É Deus, nosso pai adorado;
E Clemência, Piedade, Paz e Amor
O Homem, Seu filho e Seu cuidado.
Pois a Clemência tem um peito humano,
E o Amor forma humana celeste,
E um rosto humano tem a Piedade,
E a Paz exibe humana veste.
Assim todo homem, pelo mundo afora,
Que reza em sua humana dor,
Pede só à divina forma humana
Clemência, Paz, Piedade, Amor.
E amar a forma humana devem todos,
Sejam pagãos, turcos, judeus;
Onde habitam Clemência, Amor, Piedade,
Ali também habita Deus.
quinta-feira, 4 de abril de 2013

"...No início, o Espírito do Deus Metal pairava sobre as aguas do abismo... então Ele disse: que se faça o Rio! e uma veia de água doce se separou do oceano, que veio a se chamar Piedra. E Deus Metal disse: que haja um palco! e a terra foi separada do céu, e entre eles A Grande Montanha Palakos nasceu, para que o Céu (pra onde Deus Metal se mudou)não perdesse contato com a Terra. O Demiurgo então canta a primeira canção, cujas vibrações fecundam Terra dando origem a Fauno e Flora. Estes entes então percorrem a criação, e sua língua é bela e mágica. Eles concebiam as coisas (aqui todos os animais e plantas conhecidos e outros já esquecidos foram criados) pelo dom de Psique, irmã mais velha de ambos, filha do Deus Metal com uma ninfa do rio Piedra: Tunna. Conta-se que Terra se revolta com Deus Metal quando descobre do romance de seu conjugê com Tunna. Ela então ordena a seu filho Fauno que conceba um animal de coração perverso e macule o rio Pietra. Para isso, pediu a sua filha Flora para lhe dar as raízes necessárias. Então Fauno cria Eddie, uma espécie de cruza de tatu com cobra que serve aos planos de Terra. Porém, Fauno tinha adicionado pitadas a mais de malícia nessa criatura, que se encanta por Tunna e a rápita de seu reino. Ele foge com ela para o coração de Palakos, no coração da montanha e funda seu mundo subterrâneo. Nele a ninfa despojada passaria a se chamar Donzela de Ferro. Terra, apesar dos planos terem ido além do esperado, vendo a importância que Deus Metal reserva a Tunna,se regozija de seus frutos e torna Eddie seu protegido, para dar uma lição em seu par. Deus Metal, perdendo seus dois amores e expulsando Fauno e Flora de Palakos e os exilando nas Terras Ermas se sentiu triste, sentou nas margens do rio Pietra e chorou. As lágrimas que cairam no rio o purificou dos sortilégios de Eddie, mas as ninfas nunca mais apareceram em superfície. Outras lágrimas cairam no solo e se misturaram com ela e da lama surgiu o ser humano.. Deus metal então sorriu e se alegrou novamente, e seu sorriso foi o Sol. "Multiplicai-vos filhos! E viveis sob a Paz e o Amor!" E nomeou um rei uma rainha para reinar sobre o palco: Lennon, O Breve e Ioko, A Ono. Porém a compahia do homem não tirou de todo a solidão de Deus Metal, por isso, Ele criou a lua, e todas as noites, ainda podemos ver suas lágrimas no oceano celestial, as estrelas. Os antigos dizem que no final dos tempos, no último Sabbath, Fauno sairá do Exílio e fará soar um riff de guitarra que dará início à Jam Session Final entre Eddie e o Deus Metal, e ao som da Donzela de Ferro, dois exércitos se enfretaram até estarem todos no Valhalla, quando um dirigível incendiário sob o carro de Roberto, A Planta, trará o segundo sol a tona, e uma era sem tom. Céu, Terra e Inferno se unirão, as lágrimas da terra beijaram as lágrimas do céu, o mar engolirá Palakos, O Sol e a Lua se consumirão, "O um será o todo, e o todo será o um".
sábado, 30 de março de 2013
"Os seres humanos são os únicos capazes de reter a capacidade de brincar. A não ser que vivam nas condições artificiais do cativeiro, outros animais perdem a capacidade inicial de se divertir quando deparam com a dura realidade da vida na selva. Os adultos humanos, porém, continuam a apreciar a exploração de possibilidades diferentes, e, como crianças, seguimos criando mundos imaginários. Na arte, livres dos constrangimentos da razão e da lógica, concebemos e combinamos novas formas que enriquecem nossa vida, e que nos mostram algo muito importante e profundamente "verdadeiro", no qual acreditamos. Na mitologia também elaboramos uma hipótese, damos vida a ela por meio do ritual, agimos a partir disso, contemplamos seu efeito em nossa vida e descobrimos que atingimos uma nova compreensão no labirinto perturbador do mundo em que vivemos".
Karen Armstrong, Breve história do mito.
Karen Armstrong, Breve história do mito.
terça-feira, 8 de janeiro de 2013
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