segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

“Quando você se lança numa jornada e o fim parece cada vez mais distante, então você percebe que o verdadeiro fim é o percurso." - Karlfried Graf Dürckheim.

domingo, 16 de dezembro de 2012



Assim, pelos olhos, o amor atinge o coração:
Pois os olhos são os espiões do coração.
E vão investigando
O que agradaria a este possuir.
E quando entram em pleno acordo
E, firmes, os três em um só se harmonizam,
Nesse instante nasce o amor perfeito, nasce
Daquilo que os olhos tornaram bem vindo ao coração.
O amor não pode nascer nem ter início senão
Por esse movimento originado do pendor natural.
Pela graça e o comando
Dos três, e do prazer deles,
Nasce o amor, cuja clara esperança
Segue dando conforto aos seus amigos.
Pois, como sabem todos os amantes
Verdadeiros, o amor é bondade perfeita,
Oriunda – ninguém duvida – do coração e dos olhos.
Os olhos o fazem florescer;
o coração o amadurece:
Amor, fruto da semente pelos três plantada.

Gutraut de Borneilh ( Circa 1138-1200?)

O Enigma da Esfinge


"Na história de Édipo, a Esfinge não é a Esfinge egípcia, mas uma forma feminina, com asas de pássaro, corpo de animal e busto, pescoço e rosto de mulher. O que ela representa é o destino de todo ser vivente. Ela havia provocado uma peste na terra, e a única maneira de erradicá-la era resolver o enigma proposto por ela: “O que é que anda com quatro pernas, depois com duas e em seguida com três?” A resposta é: “O homem”. A criança engatinha com quatro pernas, o adulto anda com duas e o velho usa uma bengala. O enigma da Esfinge é a imagem da própria vida através do tempo: infância, maturidade, velhice, morte. Quando você enfrenta e aceita o enigma da Esfinge, sem medo, a morte não interfere mais em você e a maldição da Esfinge cessa. O domínio sobre o medo da morte é a recuperação da alegria de viver. Só se chega a experimentar uma afirmação incondicional da vida depois que se aceita a morte, não como algo contrário à vida, mas como um aspecto da vida. A vida, em sua transformação, está sempre destilando a morte, está sempre à beira da morte. O domínio sobre o medo propicia coragem à vida. Esta é a iniciação fundamental de toda aventura heróica: destemor e realização."

CAMPBELL, Joseph. O poder do mito. São Paulo: Palas Athena, 1990.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Um punhado de areia

Minhas aspirações são como um punhado de areia que se pega na praia, que a gravidade devolve à duna e a brisa amena dispersa, ao som do mar e à luz do céu... profunda só minha tristeza! neste bolo não há cereja, e ao som do mar nada proferi, estava de boca cheia, e não obstante de peito vazio.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Confissões Sacras de um Herege

IV. Sagrado Amor

Não é como fogo, fulgaz chama,
Que arde, consome, dá cinzas tacanhas
É semente invólucra, indolente, é idólotra
Dilema que minha minha mente jogou fora
E por epopéia, terrível e bela
No abismo caiu dançando, na mais fértil das terras
Regada por minhas lágrimas,
Por meu alento alimentada
Oh, e como cresce!
Para uma árvore cujos ramos incontáveis,
Incontável encanto se faz em mim!
Para árvore de beleza incomensuravel
Que amana luz ao meu jardim!

domingo, 30 de setembro de 2012

Confissões Sacras de um Herege

III.

"Das águas primevas nasci.
pras águas tornei a descer.
De tudo que vi, sonhei;
do que ouvi, nada foi pronunciado.

Do meu fardo me despi,
do leito mergulhei..
E nadei: atravéz das brumas silenciosas,
Pela ponte tênue caminhei, ao nadir chegara.

Estava só e no entanto, não me sentia sozinho.
Tudo estava ali, fazia parte de mim.
Os sete selos de João se conflagaram
E o pergaminho, do que foi lido, nada foi contado.
De tudo que vi, sonhei;
De tudo que ouvi, nada foi-me contado."

Donde no limiar da lamúria, do escatos me assombrei.
Encontrei no pranto agoniado, o sabor das águas da Chapada,
Meu Templus e Tempus míticos, minha alvorada!

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Adágios de Encruzilhada

I.Gosto de mulher inteligente: o problema é que elas nunca são burras o suficiete para haver reciprocidade.

Confissões Sacras de um Herege

II.

Todas as notas estavam ali,
E voavam à minha volta.
Como esses insetos da primavera,
Ou entes, de mil nomes.
Vibravam de gramofones
plantados, arraigados:
Nas terras áridas de minha mente.
"Oh céus! Oh vida! Oh azar!"
Como pode prelúdio tão belo
Culminar em epílogo alquebrado,
Sobre a face das águas do abismo, prostrado.
"Isto não deu certo".

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Confissões Sacras de um Herege

I.

O Mar murmurava sua sinfonia primordial,
A brisa beijava-me a face.
Em verdade, prisca concha engastada
No meu ouvido cantava, ondas do mar sem fim.
E o vento, do ventilador, acossado
Acalentava o pó, que ergueu-se sem honra
Tangido de ouro pelos raios do distante mundo de fora
Que em cortesia - intrometida - nos comtemplava.
As sendas do pranto quase estiadas,
A voz já não tão embargada,
De repente, o leitinho com pêra não me apeteceu.
Por que diabos isso deveria rimar?

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Eu sou como um urso pardo que hiberna em sua caverna úmida e escura nas quatro estações. O sol... um parente distante, que vejo nos dias de labuta já não eventual. A lua, bem... à noite eu saio as vezes pra vislumbrar as estrelas, tão cativas, no firmamento presas; e no entanto livres, expurgadas, transbordando beleza. E a lua, invólucra e desnuda, é o meu alento a falar: ...ah se pudesse termitir-lhes, toda cachaça, meio do qual meu Eu-xamã pleita para libertar-se das amarras do ego. Maldito ego, ele é que agora me impele a estancar este poema, feno sem cena, Minos sem Micenas, Adeus.

sábado, 14 de julho de 2012

Insípida Retórica Nerd

Firme como as raízes de um salgueiro lutador,
Arraigado aconchegantemente pelo manto verde
Dos campos nostálgicos daquela velha história,
"sem inspiração pra labutar nessa linha"

Firme como o olhar perspicaz de Minerva
desmontando os planos tolos, e os Weasley - Oh merda!
Firme como o retumbar dos pés soberbos de Hagrid
Firme como a que tu remete o pensamento.

Sobretudo, firme 1/4 da firmeza do poema
Que de firme em firme menos rijo se emblema
Rochedos enamorados do mar hoje jazem em areia
Quão efêmero é o tempo, perdido na eternidade?

sexta-feira, 29 de junho de 2012

O Triste Pleito Inexorável

-Aurora-

Canto I

Na inocência dos meus primeiros dias,
Quando a primavera apenas começara
E os meus sonhos bruxuleavam,
Como a brisa amena que faz sibilar a flora
E os rouxinóis cantavam e zelava o caipora
pela fauna e faunos dos caçadores de outrora.

O Astro Rei brilhava, suntoso na alvorada
Com seu manto cálido as pradarias abraçava
E as nuvens no alto, tão serenas repousando
No céu que as acolhia, não me cabia de alegria
Inebriado que estava, com a imagética pulsante
Da visão do horizonte, das relvas e pradarias.

Ao som de gargalhadas gorgolejantes
Das veias do mundo que irrigavam incessantes
O dito bioma donde por ócio despojava-me
Por um pseudo-alzheimer, debaixo de uma árvore
E nenhuma maçã houve de de ter em minha cabeça;
De grave só o trovão caudaloso da cachoreira.

O aprazível silvo dos ventos completava
A ópera bucólica, cortesia a Aurora,
Deusa Eos de outrora, que dava tom à peça,
Ao céu e a Hélio, seu irmão mais velho
Dava fulgor ao sol sem conta
E sem conta assim, como se conta
Neste conto, pretensa arte de pompa
Findo regozijado este primeiro canto.


quarta-feira, 13 de junho de 2012

Nestas linhas geométricas perpetuo o evanescente,
Para que os caracteres não se percam do incessante presente
Que se percam os maus auspícios então
E as angustias sem asco
Que sejam levadas gradualmente pelo hálito embargado da minha alma
E que a luz do monitor fulgure em minha face outrora rija e pertinaz
Agora jazendo como espectro de nostalgia hipócrita e desatinada
Viva a poesia, esta que me da vida, que me mata e que me ressusita.

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Salve!

Reservo-me nesse espaço, a publicar de forma livre, despojada e intermitente sobre questões de viés diversos, em diversos níveis, nas diversas tipologias textuais, para um mesmo objetivo: Obstinar-me a saciar a abstinência pujante de minha alma, esta que vive, não se sabe ao certo, no centro do tijolo, ou no tijolo por inteiro, mas que em derradeira instância, me diverge dos de mais. Para todos aqueles que se sentem assim, mais um tijolo no muro, que brada impetuosa e sinlenciosamente até que sejam arrebatados por um soco de um Super Mário ensandecido, dedico este blog.