domingo, 30 de setembro de 2012

Confissões Sacras de um Herege

III.

"Das águas primevas nasci.
pras águas tornei a descer.
De tudo que vi, sonhei;
do que ouvi, nada foi pronunciado.

Do meu fardo me despi,
do leito mergulhei..
E nadei: atravéz das brumas silenciosas,
Pela ponte tênue caminhei, ao nadir chegara.

Estava só e no entanto, não me sentia sozinho.
Tudo estava ali, fazia parte de mim.
Os sete selos de João se conflagaram
E o pergaminho, do que foi lido, nada foi contado.
De tudo que vi, sonhei;
De tudo que ouvi, nada foi-me contado."

Donde no limiar da lamúria, do escatos me assombrei.
Encontrei no pranto agoniado, o sabor das águas da Chapada,
Meu Templus e Tempus míticos, minha alvorada!

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Adágios de Encruzilhada

I.Gosto de mulher inteligente: o problema é que elas nunca são burras o suficiete para haver reciprocidade.

Confissões Sacras de um Herege

II.

Todas as notas estavam ali,
E voavam à minha volta.
Como esses insetos da primavera,
Ou entes, de mil nomes.
Vibravam de gramofones
plantados, arraigados:
Nas terras áridas de minha mente.
"Oh céus! Oh vida! Oh azar!"
Como pode prelúdio tão belo
Culminar em epílogo alquebrado,
Sobre a face das águas do abismo, prostrado.
"Isto não deu certo".

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Confissões Sacras de um Herege

I.

O Mar murmurava sua sinfonia primordial,
A brisa beijava-me a face.
Em verdade, prisca concha engastada
No meu ouvido cantava, ondas do mar sem fim.
E o vento, do ventilador, acossado
Acalentava o pó, que ergueu-se sem honra
Tangido de ouro pelos raios do distante mundo de fora
Que em cortesia - intrometida - nos comtemplava.
As sendas do pranto quase estiadas,
A voz já não tão embargada,
De repente, o leitinho com pêra não me apeteceu.
Por que diabos isso deveria rimar?