domingo, 20 de julho de 2014

Catarse Nossa de Cada Dia

Tudo que eu queria era escrever bonito
Na poesia e nos traços, que já nascem como que nascem comidos por traças
Em um papel amarelado, presente do tempo que o ourifica
Sem o brilho do ouro de tolo
E nem o branco alvo que reflete a luz na folha
E é assim que a grafia carcomida e a folha bronzeada
Me lembram os dias de sol que nunca me banhei
Os sonhos devorados pelo esquecimento e vomitados pela realidade
Que na terra já esperam os germes famintos
A eles e a mim, não sei porque mas sinto
Não há outro destino para mim: a mim mesmo não minto.
E se entre os impulsos primeiros e os fins últimos
Existe um nó inextrincável que só as parcas findam
Me afoguem espiritos! pois alma penada a muito me sinto.
Se meu coração pesar mais que a pena no tribunal de Osiris
E me depenarem os cães do inferno fatiando-me sem cozir
Não tenham pena de mim: enterrem meu coração na beira do rio Aqueronte,
E bebam de sua água, para felizes me deixarem,
Esquecerem o espaço vaziu que um dia eu ocupei.

11/07/14

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Lirísmo Onírico - 21 de Maio de 2014

Como o vulto de um fantasma noturno que se vê de canto de olho, como a penumbra da lua, o fundo obscuro de um lago cristalino; assim é minha memória frágil e fugaz desse sonho. "Mate o dragão, mate o dragão!". Matei-o. Nisso se resume o enredo. Mais turva que minha memória era o pano de fundo do sonho, talvez o agente da quase-amnésia: me sentia como um hobbit perdido nas veias subterrâneas de uma montanha. Sequer me lembro do dragão. Envolto naquela escuridão, suas escamas reluziam. Só sei que tinha de matá-lo, e a golpes de espadas, e assim fiz. O véu negro do esquecimento é dono de muitos segredos, e embora o fio de minha espada não o tenha violado, sinto que o dragonicídio tenha liberado algo - não sei bem o que.. talvez um próximo degrau, na escadaria para o paraíso.